Vi recentemente um documentário sobre
este filme de Pedro Almodovar: “Tudo sobre minha Mãe” de 1999.
Gostei muito deste filme quando o vi no cinema, mas já tinha passado
alguns anos e visto muitos outros filmes.
Achei o documentário muito
interessante, com entrevistas aos actores, produtores e ao
realizador, sobre a história do filme e dos personagens.
Fiquei a saber o quanto este filme foi
importante para mudar as mentalidades em Espanha. Alguns anos depois,
o nosso país vizinho aprovou o casamento de pessoas do mesmo sexo e
tem uma atitude muito mais aberta em relação à homossexualidade,
travestismo, transsexualismo, ou às famílias ditas fora de padrão
tradicional.
Aproveito uma análise escrita por
Pierre Willemin
Neste
filme a figura materna representa o alicerce familiar, o centro
emocional no desenvolvimento de um indivíduo. Almodóvar elaborou
uma homenagem especial à relação mãe
e filho.
Manuela
(Cecilia Roth) é a soma de todas as mães. É ela que, em
determinada hora, toma conta das demais personagens como se fossem
suas próprias crias, mesmo não sendo.
A
vida de Manuela é espantosa. Quando jovem, fugiu de Barcelona e foi
para Madrid. Estava grávida de um ator chamado Esteban (Toni Cantó),
que tinha se transformado em Lola, um travesti. Dezoito anos mais
tarde, seu filho — o segundo Esteban (Eloy Azorín) — morre
atropelado por um carro. Ele jamais conheceu a identidade do pai,
embora sempre tivesse insistido para que a mãe lhe revelasse a
verdade.
Manuela,
agora sozinha no mundo, decide fazer um "resgate ao passado",
volta para Barcelona à procura de Lola. Na capital catalã, revê
uma velha amiga chamada Agrado (o transformista Antonia San Juan, que
carrega todos os elementos cómicos do filme praticamente sozinho!) e
conhece uma jovem freira, a Irmã Rosa (Penelope Cruz), que presta
serviços de assistência social a prostitutas e travestis. Em poucos
dias, Manuela descobre o segredo de Rosa: está grávida de Lola!
O
relacionamento de Rosa com a própria mãe é repleta de obstáculos.
A vocação religiosa da garota nunca foi de todo aprovada. Ademais,
Rosa não tem coragem de assumir a gravidez para a família, assim
sendo pede ajuda a Manuela, que a acolhe de todo coração. No fim, é
justamente Manuela que assume a responsabilidade para com a criança
(o terceiro Esteban), já que Rosa morre durante o parto por
complicações decorrentes da Aids (ela contraíra a doença com
Lola). No fim, quando Manuela revê o ex-amante, tem a oportunidade
de contar sobre o filho que ambos tiveram e sobre o qual Lola jamais
tomara conhecimento.
Espantoso
imaginar como Pedro Almodóvar, sendo um homem, conseguiu observar
tão profundamente a sensibilidade do universo feminino. O travesti
Agrado (e até mesmo Lola) servem para demonstrar que, para o autor,
a feminilidade está na atitude, transcendendo a questão física. Os
homens são meras referências de espírito em torno das quais as
mulheres orbitam (o homem que Manuela tanto amou não existe mais,
agora tem um "par de tetas"; o filho, Esteban, morreu; o
pai de Rosa não a reconhece, sofre de Mal de Alzheimer;
E
como Almodóvar consegue abordar o tema do amor materno, aquele que
muita gente assegura ser o maior de todos, quase uma unanimidade, sem
parecer piegas? Ele, quem sabe, apenas quisesse enfatizar o velho
ditado que conhecemos tão bem: “no coração de mãe, cabe sempre
mais um”. E o coração de Manuela é a mais impecável insígnia
dessa teoria.
Certamente,
um dos 10 melhores filmes da década de 90!
-
Em 1999, conquistou o Prémio de Melhor Director, o Prémio de Júri
Ecuménico e foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes
-
Em 2000, conquistou o César de Melhor Filme Estrangeiro
- Em 2000, conquistou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro
- Em 2000, conquistou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
- Em 2000, conquistou o Bafta Film Award de Melhor Filme de Idioma Estrangeiro, o David Lean Award de Direção e foi indicado ao Bafta Film Award de Roteiro Original.
- Em 2000, conquistou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro
- Em 2000, conquistou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
- Em 2000, conquistou o Bafta Film Award de Melhor Filme de Idioma Estrangeiro, o David Lean Award de Direção e foi indicado ao Bafta Film Award de Roteiro Original.
Pedro Almodóvar nunca pôde estudar cinema, pois nem ele nem a sua família
tinham dinheiro para pagar os seus estudos. Antes de dirigir filmes, foi
funcionário da companhia telefónica estatal, fez banda desenhada, actor de teatro e cantor de uma banda de rock, na qual participava travestido. Foi o primeiro espanhol a ser indicado ao Óscar de melhor realizador.
Uma das características do cinema produzido por Pedro Almodóvar é a
recorrência de atrizes fectiches com quem o diretor trabalha com enorme
frequência, a única excepção masculina é Antonio Banderas.
Pedro Almodóvar Caballero é o cineasta espanhol de maior renome mundial
atualmente. Sua filmografia é repleta de filmes onde a presença feminina
é o ponto principal das tramas, as cores berrantes, personagens
loucos, e a política espanhola também são destaques em seus roteiros, e
claro uma história densa, pesada, mas bem humorada e sem pretensões de
se levar a sério. Para Almodóvar seus filmes são tão autobiográficos
quanto poderiam ser, suas experiências de vida são suas fontes de
inspiração.
É um dos mais premiados realizadores da história do cinema, venceu dois
Oscar, dois Globo de Ouro, quatro BAFTA, três prêmios do Festival da
Cannes e seis Goya, a honraria máxima do cinema espanhol.
Aqui podemos observar algumas cenas marcantes do cinema de Almodóvar.
gosto dos filmes deles. este não vi mas abriste-me a curiosidade.
ResponderEliminar(os passarinhos lá em cima são um máximo).
Morangos com chantily, Margarida? Isso é por demasi engordatiivo. Já viste a chatice que é não podermos comer uma coisa tãoooooooooooo gostosa que a palerma da balança acusa logo?? maldita!!! jinhos
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