segunda-feira, 25 de junho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Tudo Isto É...
Aproveitando a recente eleição do Fado como Património Imaterial da Humanidade, nasceu o Tudo Isto É,
um projecto "misto" que procura recriar o género musical e recuperar
uma tradição. "Neste caso, os construtores de guitarras e a guitarra
portuguesa."
Álvaro Siza Vieira, Ana Vidigal, Catarina Pestana, Eugénio Campos, Fabrizio Matos, Isaque Pinheiro, Joana Vasconcelos, João Leonardo, João Pedro Vale, José Cardoso, Manuel João Vieira, Marco Sousa, Miguel Januário, Miguel Vieira, Nini Andrade Silva, Pedro Tudela, RD2 - Liza Ramalho e Artur Rebelo, Ricardo Dourado, Sara Maia, Sofia Leitão, Vhils - Alexandre Farto

21 criadores aceitaram o desafio do Tudo Isto É. "Os artistas gostaram da ideia, até porque o instrumento não lhes foi apresentado como um objecto acabado", revela Daniel Pires.
"Não podemos emigrar todos, alguém tem de ficar cá. É o nosso fado, mas não podemos ficar a cantar o Fado e a chorar. Tudo isto é uma forma de tentar, sempre, ir para a frente", salienta o responsável, referindo que é preciso ser ousado. "No fundo, Tudo Isto É provocar!"
Álvaro Siza Vieira, Ana Vidigal, Catarina Pestana, Eugénio Campos, Fabrizio Matos, Isaque Pinheiro, Joana Vasconcelos, João Leonardo, João Pedro Vale, José Cardoso, Manuel João Vieira, Marco Sousa, Miguel Januário, Miguel Vieira, Nini Andrade Silva, Pedro Tudela, RD2 - Liza Ramalho e Artur Rebelo, Ricardo Dourado, Sara Maia, Sofia Leitão, Vhils - Alexandre Farto

21 criadores aceitaram o desafio do Tudo Isto É. "Os artistas gostaram da ideia, até porque o instrumento não lhes foi apresentado como um objecto acabado", revela Daniel Pires.
"Não podemos emigrar todos, alguém tem de ficar cá. É o nosso fado, mas não podemos ficar a cantar o Fado e a chorar. Tudo isto é uma forma de tentar, sempre, ir para a frente", salienta o responsável, referindo que é preciso ser ousado. "No fundo, Tudo Isto É provocar!"
Quando eu for grande... 2
Quando eu for grande... quero ter uma casa de férias assim, na montanha, com esta varanda em frente ao mar...
Morre lentamente...
Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo
Morre lentamente
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajeto,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou
Não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções,
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo
Morre lentamente
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajeto,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou
Não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos olhos e os corações aos tropeços.
Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor,quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida,
Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor,quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos...
de Pablo Neruda
sexta-feira, 15 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
O meu Santo António
O meu Santo António foi enfeitado por mim.
Foi vestido usando a técnica do guardanapo e depois alguns pormenores pintados.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Reflexo ou Reflecção?
Este blogue chama-se Reflexos e não Reflecções...
Por isso gosto mais dessa imagem reflectida, que nem sempre é igual ou a minha imagem, dependendo de quem a vê...
O reflexo de uma imagem pode ser apenas o inverso ou duplicação do objecto inicial...
A soneca do cachorro
Um velho cão com ar cansado apareceu no meu jardim.
Consegui ver pela coleira e pela barriga bem alimentada que ele tinha casa e era bem tratado.
Calmamente veio até mim, fiz-lhe umas carícias na cabeça; ele seguiu-me para dentro da minha casa e logo procurou um canto onde se enrolou e adormeceu.
Uma hora depois aproximou-se da porta e eu deixei-o sair.
No dia seguinte voltou, aproximou-se de mim, entrou comigo para dentro de casa e foi logo para o mesmo canto onde se enroscou e dormiu durante uma hora.
Isto continuou durante semanas.
Curioso, escrevi uma mensagem num papel e coloquei-a na coleira.
“Gostava de saber quem é o dono deste magnífico e doce cão e se sabe que ele todas as tardes vem a minha casa dormir uma soneca”
No dia seguinte o cão regressou com um papel diferente na coleira:
“Ele vive numa casa com 6 crianças, duas com menos de 3 anos – ele está a tentar recuperar o sono. Posso ir com ele amanhã?”
Achei delicioso, este texto cheio de sensibilidade e de humor
Por Marcelo Alves (via Facebook)
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Lei da Atracção
Pensar nisso é convidar isso...
Sem exceção, aquilo no qual você pensa é aquilo que você convida para dentro de sua experiência.
Sem exceção, aquilo no qual você pensa é aquilo que você convida para dentro de sua experiência.
Quando você pensa um pouco sobre algo que quer, esse pensamento intensifica-se mais e mais, e fica mais e mais
poderoso.
Quando você pensa sobre algo que não deseja, a Lei da Atracção
busca aquilo e aquilo cresce mais e mais também.
Assim, quanto mais o
pensamento se intensifica, mais poder
ele encerra e então, mais certeza você tem de receber aquilo.
Quando
você vê algo que gostaria de vivenciar e diz “sim, eu gostaria de ter aquilo”, através de sua atenção àquilo, você convida aquilo para sua experiência.
Provérbio chinês
"Se o problema tem solução, não esquente a cabeça, porque tem solução.
Se o problema não tem solução, não esquente a cabeça,
porque não tem solução"
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Roxo, púrpura, violeta, lilás
Hoje é dia de Roxo
O roxo combina a estabilidade do azul frio com a energia de vermelho
quente, dois opostos muito fortes, por isso tem propriedades tanto
quentes quanto frias: roxos avermelhados são quentes enquanto roxos mais
azulados são frios.É sempre associado a realeza. Simboliza poder, nobreza, luxo, e ambição.
Transporta riqueza e extravagância.
É a cor da sabedoria, dignidade, independência, criatividade, mistério, e magia.
O púrpura é uma cor muito rara na natureza e por isso algumas pessoas consideram ser artificial mas ela tem um lugar especial, é o púrpura da alfazema, das orquídeas e das violetas.
O púrpura representa o meio entre o céu e a terra, entre paixão e inteligência, entre amor e sabedoria.
- No contexto ocidental, é a cor da nobreza e da inveja
- No esoterismo é a cor da iniciação
- Na Tailandia é a cor das viúvas.
- No catolicismo é a cor usada pelos bispos e por alguns padres durante a quaresma simboliza também a penitencia.
Tudo isto para dizer que adoro esta cor e suas tonalidades. Gosto de combinar e contrastar o roxo com verde ou amarelo. Gosto de roxo na decoração. Encontrei no blog "Jeito de Casa" estas fotos que me inspiraram este post.
Quem não gosta do cheirinho a alfazema dos saquinhos para pôr no meio da roupa...
Quem nunca teve em casa um vaso de violetas?
sexta-feira, 1 de junho de 2012
O Clã Caetano - de 1800 a 2012
Andava há anos a tentar fazer a minha Árvore Genealógica, que ia crescendo com o tempo, à medida que ia obtendo mais informações. Não só faço o esquema tradicional, como tento fazer a biografia de cada membro da família.
Há muito tempo que tinha empancado nas mesmas pessoas, e dali não saía, não acrescentava grande coisa, até que...
No início deste ano, usando esta ferramenta fantástica da Internet, pus-me a pesquisar o nome do meu avô Francisco que estava ligado à cerâmica, quando de repente me aparece um texto com a biografia de um Francisco Caetano, num blog chamado Guitarra de Coimbra.
Ora eu, na minha ignorância, pensei que se tratava de outra pessoa, pois o meu avô nunca tinha cantado nem estava ligado ao Fado de Coimbra... mas para grande espanto e felicidade, constatei que se tratava nem mais nem menos do que o tio desse meu avô, que cantava acompanhado pelos irmãos José à viola e Alberto tocando alaúde. Ora este Alberto é precisamente o meu bisavô.
Fui lendo e absorvendo esta informação toda, e depois de assimilar tudo achei que só havia uma coisa a fazer: contactar o senhor que escreveu esta biografia, identificar-me e pedir mais informações.
E não é que em 3 semanas tinha descoberto toda a minha família e mais importante, é que há muitos descendentes ainda vivos e que acabei por encontrar, alguns ainda por via virtual, outros por telefone e já pessoalmente.
Foi por isso que decidi partilhar um resumo, muito abreviado, da minha família. Principalmente para partilhar com estes meus novos primos e primas, para nos podermos situar melhor dentro da nossa árvore.
É que quando nos encontrarmos no prometido almoço do Clã Caetano, nos podermos identificar...
Então começando por aqueles que deram origem a tudo (infelizmente não consegui ir mais longe do que isto)...
José
Caetano Ferreira – Pai - Também conhecido por José Cabelo,
era sapateiro.
Casou com Maria
Adelaide Costa, que era adeleira (vendia roupa de vestir e de casa).
O casal faleceu em 1920 ou 1921, 1º faleceu Adelaide e 1 mês depois falecia José com o desgosto.
Tiveram 5
filhos: Francisco Caetano Ferreira, Alberto Caetano Ferreira, José
Caetano Ferreira, Mariana Costa Ferreira e Adriano Costa Ferreira.
Francisco
Caetano Ferreira, nasceu a 1 de Fevereiro de
1884 e morreu em 5 de Fevereiro de 1956, aos 72 anos.
Republicano e
carbonário, grande boémio, primeiro tenor, serenateiro, actor
amador, foi fabricante de seges.
Casou com Sofia
Amélia Oliveira (1889-1975) e tiveram 2 filhos: Francisco d'Oliveira
Caetano (1909-1945) e José António d'Oliveira Caetano (1926-2011).
- José António d'Oliveira Caetano casou com Maria Ilídia Almeida (1931) e tiveram 2 filhos: José Filipe Almeida Caetano (1949-2005) e Maria José Almeida Caetano (1958).
- José Filipe Almeida Caetano teve 1 filha: Helena Caetano.
- Maria José Almeida Caetano casou com João Firmino Freire e têm 1 filho: João Caetano Firmino Freire (1984).
Alberto
Caetano Ferreira, nasceu a 12 de Dezembro de
1885 e morreu em 16 de Agosto de 1944, aos 58 anos.
Canteiro e
escultor de profissão, tocava alaúde e viola toeira acompanhando os
irmãos Francisco e José. Foi caracterizador de peças de teatro amador.
Casou com Maria
Rosa de Jesus Miranda Lopes e teve 5 filhos: Francisco Caetano
Ferreira, Alberto Caetano Ferreira, José Caetano Ferreira, Maria
Adelaide Ferreira e Maria de Jesus Ferreira (ainda não aparece na foto).
- Francisco Caetano Ferreira nasceu em 1908 e morreu em 1987, casou com Maria Alice Lucas e tiveram 2 filhos: uma menina que faleceu com meses e 1 filho: Valdemar Lucas Caetano (1931-1997).
- Valdemar Lucas Caetano casou com Maria Suzete Lemos Ferreira (1932) e tiveram 2 filhos: Pedro Manuel Ferreira Caetano (1958) e Ana Margarida Ferreira Caetano (1963).
- Pedro Manuel tem 3 filhos: Nuno Caetano (1983), João Caetano (1986) e André Caetano (2007).
- Alberto Caetano Ferreira Junior teve 3 filhos: Ruth Ferreira, Alberto F. E. Caetano e outro.
- Ruth Ferreira casou com Joel e tiveram 4 filhos: Olga, Luís, Zeca e Edite.
- Maria Adelaide Ferreira casou com António Dias e tiveram 1 filho: António Ferreira Dias.
José
Caetano Ferreira, nasceu a 10 Dezembro de
1894 e morreu em 1971, com 77 anos.
Trabalhou como
archeiro da Universidade de Coimbra, funcionário da Secretaria da
Faculdade de Medicina e da Secretaria Geral da UC.
Bom executante
de violão, participou em inúmeras serenatas populares e tocou nos
ranchos sanjoaninos, foi actor amador, integrou o famoso grupo
Salsichon, formação constituída por violões, bandolins, banjo e
clarinete.
Casou com Maria
Guilhermina Pereira e teve 3 filhos: Maria Adelaide Ferreira, José
Caetano Ferreira e Maria Guilhermina Ferreira (1927).
- José Caetano Ferreira casou com Maria Isabel Lopes Pêra e tiveram 2 filhos: José Caetano e Maria Isabel Caetano.
- José Caetano casou com Romy Caetano (1954) e têm 2 filhos: Nuno Caetano e Marina Caetano (1985);
- Maria Isabel Caetano tem 2 filhos: Catarina Caetano Gomes Rosa (1980) e Manuel Caetano Gomes Rosa.
- Maria Guilhermina Ferreira casou com José Nascimento e têm 1 filha: Elsa Ferreira Nascimento, que por sua vez tem 3 filhos: Cristina Costa (1970), Lara Palmeira e Lineu Palmeira (1985).
- Cristina Costa tem 3 filhos: Sara, Lara e André Martins.
- Lineu Palmeira tem 1 filha: Safira.
Mariana
Costa Ferreira, casou com Augusto Lopes. Tiveram 2
filhos: Augusto Lopes Filho e Judite Lopes.
- Augusto Lopes Filho, teve 1 filho: António Augusto Lopes, que por sua vez teve 2 filhos.
- Judite Lopes casou com Floro e tiveram 3 filhos: Judite, Berta e Floro...
Adriano
Costa Ferreira, o filho mais novo, não ficou com o nome Caetano, como tinham todos os homens
descendentes. Era guarda-livros na Casa das Lãs.
Casou com
Albertina Navouro, de Soure e não tiveram filhos.
Isto é o resumo do que sei até à data.Claro que faltam nomes e datas, mas esta Árvore é um trabalho sem fim. Parece-me que entretanto já houve mais um bebé que nasceu.
Quem sabe no nosso almoço não obtenho mais informações preciosas...
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Mudança - de Clarisse Lispector
MUDANÇA
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!
De Clarice Lispector
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!
De Clarice Lispector
Felicidade realista - por Mário Quintana
FELICIDADE REALISTA
A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguer, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinónimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prémio. Não sejamos vítimas ingénuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
Mário Quintana
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Música indiana Ravi e Anoushka Shankar
Ainda a propósito de música indiana, referida no posto anterior, aqui está "Easy",
das irmãs Anoushka Shankar e Norah Jones,
filhas do mestre indiano Ravi Shankar.
Muito boa a suavidade da voz em cima da música de cítara indiana. Gosto muito!
Faz parte do disco "Breathing under water" de Anoushka Shankar.
Ravi Shankar, acompanhado por sua filha Anoushka Shankar,
tocam ao vivo para a BBC no The Symphony Hall, Birmingham.
Índia
Costumo dizer que fui indiana noutra reencarnação.
Adoro música indiana, as cores, sempre quis estudar as tradições e os seus deuses tão interessantes.
Não gosto propriamente da confusão e pobreza que sabemos existir na India, mas gosto da mistura de cores das roupas ou dos mercados, da comida e seus condimentos.
A música indiana leva-me a lugares onde nunca fui, mas penso que me são familiares. Sei lá porquê...
Ouçam o grande mestre Ravi Shankar a tocar cítara em dueto com o violinista Yehudi Menuhin, e vejam as imagens do pintor Raja Raji Varma, pode ser que me entendam.
Bôlas de Lamego
Guardo as memórias do percurso da minha vida em compartimentos. À medida que mudo, de local de trabalho, de casa, de cidade, de amigos... vou pondo o que fica para trás em gavetas que deixo entreabertas umas, fechadas outras.
Penso que é assim com toda a gente, a diferença é que para algumas pessoas que conheço, essas gavetas estão sempre a abrir e fechar a qualquer momento.
As minhas não, tenho gavetas fechadas há muitos anos, que mesmo sabendo onde estão, permanecem bem arrumadas no sotão.
Acontece que nos últimos 2 ou 3 anos, tenho sido bastante solicitada para abrir as minhas "gavetas de memória" e tem sido bom. Têm surgido lugares e pessoas que eu tinha esquecido ou apenas adormecido.
Lamego é um desses lugares...
Por circunstâncias familiares, vivi em Lamego de 1981 a 1987.
No princípio um pouco contrariada, mas depois (como sempre) adaptei-me.
Gostei da cidade e gostei de conhecer tantas pessoas. O desporto aproximou-me de colegas de Liceu. Joguei basket nos torneios inter-escolares, pratiquei dança-jazz na classe da minha cunhada Maria da Luz, fiz descidas de rio em kayak, caminhadas pelas serras, até ganhei uma taça num torneio de ténis de mesa (a minha única taça)...
Foi também aqui que iniciei a minha vida profissional. Enfim, conheci em Lamego pessoas interessantes, mas que tinham ficado guardadas na memória e lá ficaram. Mas fiz também amigos para a vida, como se revelaram agora, ao fim de tantos anos.
Reapareceram algumas pessoas há pouco tempo, e reavivaram as cinzas das memórias, fizeram-me concluir que eu até tinha gostado de viver nesta cidade. Fiquei com saudades delas e do que vivemos...
Mas saudades, saudades, eu sentia das famosas Bôlas de Lamego!!!
E não é que a minha querida amiga Isabel Vouga me trouxe uma Bôla de lá?
Esta já serviu para matar as saudades... Isabel quando voltas a ir visitar os teus Pais???
Penso que é assim com toda a gente, a diferença é que para algumas pessoas que conheço, essas gavetas estão sempre a abrir e fechar a qualquer momento.
As minhas não, tenho gavetas fechadas há muitos anos, que mesmo sabendo onde estão, permanecem bem arrumadas no sotão.
Acontece que nos últimos 2 ou 3 anos, tenho sido bastante solicitada para abrir as minhas "gavetas de memória" e tem sido bom. Têm surgido lugares e pessoas que eu tinha esquecido ou apenas adormecido.
Lamego é um desses lugares...
Por circunstâncias familiares, vivi em Lamego de 1981 a 1987.
No princípio um pouco contrariada, mas depois (como sempre) adaptei-me.
Gostei da cidade e gostei de conhecer tantas pessoas. O desporto aproximou-me de colegas de Liceu. Joguei basket nos torneios inter-escolares, pratiquei dança-jazz na classe da minha cunhada Maria da Luz, fiz descidas de rio em kayak, caminhadas pelas serras, até ganhei uma taça num torneio de ténis de mesa (a minha única taça)...
Foi também aqui que iniciei a minha vida profissional. Enfim, conheci em Lamego pessoas interessantes, mas que tinham ficado guardadas na memória e lá ficaram. Mas fiz também amigos para a vida, como se revelaram agora, ao fim de tantos anos.
Reapareceram algumas pessoas há pouco tempo, e reavivaram as cinzas das memórias, fizeram-me concluir que eu até tinha gostado de viver nesta cidade. Fiquei com saudades delas e do que vivemos...
Mas saudades, saudades, eu sentia das famosas Bôlas de Lamego!!!
E não é que a minha querida amiga Isabel Vouga me trouxe uma Bôla de lá?
Esta já serviu para matar as saudades... Isabel quando voltas a ir visitar os teus Pais???
Leveza...
A Arte, quanto a mim, tem de me fazer pensar e imaginar. Não se trata apenas de criar, inventar, tem de significar algo, tem de me dizer alguma coisa. Senão fica apenas a peça criada e executada por alguém, que pretendeu transmitir algo mas não conseguiu. E fica por ali...
Claro que cada pessoa interpreta a Arte como muito bem quer. O belo ou o feio toca a cada um de diferentes formas. O que para mim é bonito e belo, pode ser horrível para outra pessoa, e vice-versa.
Isto tudo vem a propósito de uma imagem que vi um dia destes, no meio de tantas outras criações de uma artista brasileira, mas na altura escolhi esta pela suavidade que me transmitiu...
Neste momento que estou cheia de calor lembrei-me desta imagem, os tecidos leves e transparentes de cores pastel, próprias para usar em dias quentes, lembram-me também as férias, a praia, andar ao ar livre...
Lembrei-me também de uma frase de Elis Regina a propósito do nascimento da filha Maria Rita, perguntaram-lhe o que queria para o futuro de sua filha, Elis respondeu apenas que queria que Maria Rita fosse leve, que sua vida fosse leve...
A Arte é assim, leva-nos o pensamento e imaginação para lugares só nossos, voamos sem dar conta.
Claro que cada pessoa interpreta a Arte como muito bem quer. O belo ou o feio toca a cada um de diferentes formas. O que para mim é bonito e belo, pode ser horrível para outra pessoa, e vice-versa.
Isto tudo vem a propósito de uma imagem que vi um dia destes, no meio de tantas outras criações de uma artista brasileira, mas na altura escolhi esta pela suavidade que me transmitiu...
Trata-se de um painel feito em tecido da artista Renata Basile
Neste momento que estou cheia de calor lembrei-me desta imagem, os tecidos leves e transparentes de cores pastel, próprias para usar em dias quentes, lembram-me também as férias, a praia, andar ao ar livre...
Lembrei-me também de uma frase de Elis Regina a propósito do nascimento da filha Maria Rita, perguntaram-lhe o que queria para o futuro de sua filha, Elis respondeu apenas que queria que Maria Rita fosse leve, que sua vida fosse leve...
A Arte é assim, leva-nos o pensamento e imaginação para lugares só nossos, voamos sem dar conta.
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