quarta-feira, 30 de maio de 2012

Música indiana Ravi e Anoushka Shankar

Ainda a propósito de música indiana, referida no posto anterior, aqui está "Easy", 
das irmãs Anoushka Shankar e Norah Jones, 
filhas do mestre indiano Ravi Shankar.


Muito boa a suavidade da voz em cima da música de cítara indiana. Gosto muito!
Faz parte do disco "Breathing under water" de Anoushka Shankar.


Ravi Shankar, acompanhado por sua filha Anoushka Shankar, 
tocam ao vivo para a BBC no The Symphony Hall, Birmingham.

Índia

Costumo dizer que fui indiana noutra reencarnação. 
Adoro música indiana, as cores, sempre quis estudar as tradições e os seus deuses tão interessantes. 
Não gosto propriamente da confusão e pobreza que sabemos existir na India, mas gosto da mistura de cores das roupas ou dos mercados, da comida e seus condimentos.
A música indiana leva-me a lugares onde nunca fui, mas penso que me são familiares. Sei lá porquê...


Ouçam o grande mestre Ravi Shankar a tocar cítara em dueto com o violinista Yehudi Menuhin, e vejam as imagens do pintor Raja Raji Varma, pode ser que me entendam.

Bôlas de Lamego

Guardo as memórias do percurso da minha vida em compartimentos. À medida que mudo, de local de trabalho, de casa, de cidade, de amigos... vou pondo o que fica para trás em gavetas que deixo entreabertas umas, fechadas outras.
Penso que é assim com toda a gente, a diferença é que para algumas pessoas que conheço, essas gavetas estão sempre a abrir e fechar a qualquer momento.
As minhas não, tenho gavetas fechadas há muitos anos, que mesmo sabendo onde estão, permanecem bem arrumadas no sotão.

Acontece que nos últimos 2 ou 3 anos, tenho sido bastante solicitada para abrir as minhas "gavetas de memória" e tem sido bom. Têm surgido lugares e pessoas que eu tinha esquecido ou apenas adormecido.

Lamego é um desses lugares...

Por circunstâncias familiares, vivi em Lamego de 1981 a 1987.

No princípio um pouco contrariada, mas depois (como sempre) adaptei-me.
Gostei da cidade e gostei de conhecer tantas pessoas. O desporto aproximou-me de colegas de Liceu. Joguei basket nos torneios inter-escolares, pratiquei dança-jazz na classe da minha cunhada Maria da Luz, fiz descidas de rio em kayak, caminhadas pelas serras, até ganhei uma taça num torneio de ténis de mesa (a minha única taça)...
Foi também aqui que iniciei a minha vida profissional. Enfim, conheci em Lamego pessoas interessantes, mas que tinham ficado guardadas na memória e lá ficaram. Mas fiz também amigos para a vida, como se revelaram agora, ao fim de tantos anos.
Reapareceram algumas pessoas há pouco tempo, e reavivaram as cinzas das memórias, fizeram-me concluir que eu até tinha gostado de viver nesta cidade. Fiquei com saudades delas e do que vivemos...

Mas saudades, saudades, eu sentia das famosas Bôlas de Lamego!!!
E não é que a minha querida amiga Isabel Vouga me trouxe uma Bôla de lá?

Esta já serviu para matar as saudades... Isabel quando voltas a ir visitar os teus Pais???

Leveza...

A Arte, quanto a mim, tem de me fazer pensar e imaginar. Não se trata apenas de criar, inventar, tem de significar algo, tem de me dizer alguma coisa. Senão fica apenas a peça criada e executada por alguém, que pretendeu transmitir algo mas não conseguiu. E fica por ali...
Claro que cada pessoa interpreta a Arte como muito bem quer. O belo ou o feio toca a cada um de diferentes formas. O que para mim é bonito e belo, pode ser horrível para outra pessoa, e vice-versa.

Isto tudo vem a propósito de uma imagem que vi um dia destes, no meio de tantas outras criações de uma artista brasileira, mas na altura escolhi esta pela suavidade que me transmitiu...

Trata-se de um painel feito em tecido da artista Renata Basile

Neste momento que estou cheia de calor lembrei-me desta imagem, os tecidos leves e transparentes de cores pastel, próprias para usar em dias quentes, lembram-me também as férias, a praia, andar ao ar livre...

Lembrei-me também de uma frase de Elis Regina a propósito do nascimento da filha Maria Rita, perguntaram-lhe o que queria para o futuro de sua filha, Elis respondeu apenas que queria que Maria Rita fosse leve, que sua vida fosse leve...

A Arte é assim, leva-nos o pensamento e imaginação para lugares só nossos, voamos sem dar conta.

Guerra Civil de Miguel Torga


Miguel Torga (Adolfo Rocha) em Panóias


GUERRA CIVIL

É contra mim que luto.
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto,
O que digo
E o que faço
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço.

Absurda aliança
De criança
E adulto,
O que sou é um insulto
Ao que não sou;
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou.

Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido,
Nem convencido.
E agrido em mim o homem e o menino.


MIGUEL TORGA, in ORFEU REBELDE (1958), in ANTOLOGIA POÉTICA (Coimbra, 4ª ed., 1994)

Aos injustiçados



SEPARAÇÃO DAS ÁGUAS
Quando na malhada te apontem o dedo
e te critiquem por não alinhares no gamelão
é sinal que a vara de porcos está com medo
e que te não reconhecem como irmão.

Mas nós, amigo te chamaremos,
terás sempre a nossa solidariedade
como tu, também não desarmaremos
somos Nós a outra Irmandade

Eles que fiquem SUÍNOS ANAFADOS
e nós CIDADÃOS HONRADOS!

De Miguel Varunca Simões

terça-feira, 29 de maio de 2012

Tem gente...

“Tem gente que chega de mansinho e vem fazendo casa na vida da gente.
Se aconchega feito brisa leve, até que a gente pede para não mais partir.
Tem gente tão especial que nos dá paz, apenas num olhar e diz num simples gesto
Que veio para ficar.
Não vê nossos defeitos.
Nos faz especiais...
É gente desse jeito que eu quero sempre mais."
 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Procuro Presépio M.I.D.

PROCURO 
Presépio da marca Moderna Industrial Decorativa Lda, que esteve numa exposição do Posto de Turismo, no Largo da Portagem, em Coimbra, no início da década de 50. 
Nesta exposição também esteve em exibição um famoso presépio do Museu Machado de Castro.
O Presépio que procuro foi feito pelo meu avô Francisco Caetano e vendida com o selo da sua fábrica.
Se alguém se lembrar desta exposição ou tenha ouvido falar e me possa dar alguma informação, eu agradecia muito.
 

O meu Avô e a LUFAPO LUSITÂNIA

O meu avô Francisco Caetano Ferreira, influenciado pelo seu pai, estudou arte na Escola Avelar Brotero, em Coimbra, e foi aprendiz no atelier de canteria e escultura do seu pai Alberto Caetano.
Em 1941 fundou uma fábrica de cerâmica chamada Moderna Industrial Decorativa Limitada, que produzia estatuetas decorativas, de desenho próprio ou importando modelos (de marcas maioritariamente alemãs) para reprodução. Saiu incompatibilizado com os sócios.
Em 1945 morre o seu pai e penso ser por essa altura que ingressa na Fábrica de cerâmica LUFAPO.

Não encontrei nenhuma data de abertura desta fábrica, de Coimbra, mas sei que em 1930 foi comprada pela Companhia da Fábrica Cerâmica Lusitânia, original de Lisboa, com a data de criação de 1890.


Podemos tentar identificar o período anterior a 1930 em que surge a marca simples de LUFAPO Coimbra, que aparece neste azulejo.







Depois da década de 30 surge outro tipo de louça e uma nova marca, a LUSITÂNIA COIMBRA.



Em 1936 a Lusitânia tinha também comprado a Fábrica de Massarelos, do Porto (1763/1936), cujos donos na época eram Chambers&Wall.

Em 1945, a marca CFCL, Companhia da Fábrica Cerâmica Lusitânia, é substituída por LUFAPO LUSITÂNIA PORTUGAL


Serão dessa época e anos posteriores, esta louça, onde surge também esta variante da marca:



 
Pensamos que a partir de 1945 passará a ser usada a marca LUFAPO MASSARELOS


Em 1959/60 o meu avô foi enviado para o Porto, com o intuito de transmitir os seus conhecimentos na Fábrica Lufapo de Massarelos, onde esteve até 1963, ano em que eu nasci. Nessa altura voltou para Coimbra e trabalhou na Lufapo até se reformar.
É por este motivo que temos em casa tantos exemplares desta louça, tanto de Coimbra como de Massarelos. Herdámos dos nossos avós e alguns deles continuam a ser nossos utilitários de cozinha.