sexta-feira, 18 de maio de 2012

Conversa de Botas Batidas

Cícero
Conversa de Botas Batidas (de Marcelo Camelo)

(o poema entre aspas chama-se "Memória" e é recitado por Carlos Drummond de Andrade, seu autor)
 Veja você, onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ah, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar

Veja você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre a cortina pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem

"Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão."

Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer, que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair
 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Quinta-feira da espiga

Quinta-feira da espiga

 O Dia da espiga é celebrado no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de várias flores campestres, cereais e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.
A simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga:
Espiga – Pão;
Malmequer – Ouro e prata;
Papoila – Amor e vida;
Oliveira – Azeite e paz; luz;
Videira – Vinho e alegria e
Alecrim – saúde e força.

 O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga na lareira para afastar os raios.

Os Lucas e o Desporto

Sou descendente dos Lucas, embora não tenha o nome. O meu pai era Lucas Caetano.
O meu bisavô João dos Santos Lucas era chefe de estação dos caminhos de ferro, em Coimbra. Funcionário da CP. Casado com a minha bisavó Celeste d'Oliveira, tiveram 9 filhos. Era pai da minha avó Alice Lucas.
Luís Lucas era o filho mais velho. Presumo que se chamasse Luís Oliveira dos Santos Lucas, e nasceu em 1902, em Coimbra.
Foi o primeiro (que eu tenha conhecimento) a entrar no mundo desportivo. Foi fundador, jogador e dirigente do "União Foot-Ball Coimbra Club", fundado em 1919.

Coimbra era uma cidade marcadamente universitária, e a Associação Académica já tinha o seu clube representativo do seu estatuto social e elitista.
Um grupo de jovens "futricas" do mundo laboral ligados ao comércio e industria da cidade associaram-se e fundaram o seu clube de futebol. O agora conhecido como Clube de Futebol União de Coimbra.

Eis aqui o meu Tio-Avô, Luís Lucas, como jogador da primeira equipa de futebol do União Foot-Ball Coimbra Club, em 1919.

Referenciado no Livro "Coimbra Profunda" - Clube de Futebol União de Coimbra - 1919 - Porque é Preciso ter Memória - 2003", de Júlio Ramos, Diamantino Carvalho e Aurélio Santos.

Transcrevo o início desta entrevista dada ao jornal do Clube:

"Somos uma fôrça e temos uma posição a defender, dentro do desporto local"
"Para a entrevista habitual não recorremos desta vez a nenhum director do clube visado. Preferimos ouvir o sr. Luís Lucas - o sócio fundador que tem o número de honra - por ter a sua acção ligada permanentemente ao União numa obra de vinte e cinco anos que não cansa - em espírito de dedicação e em confiança no futuro da colectividade. Não se pode falar no União de Coimbra, sem se pensar em Luís Lucas...
...Mas o sr. Luís Lucas é ainda uma figura de relêvo em Coimbra, não só pelo seu entusiasmo a favor da causa nobre de todos os desportos, como pelo seu aprumo. Conta gerais simpatias naquela cidade. É membro do Conselho Técnico da Associação de Futebol de Coimbra, lugar para que é reeleito sucessivamente, há muitos anos."

Falo agora do meu Pai - Valdemar Lucas Caetano.
Filho de Francisco Caetano Ferreira e de Maria Alice Lucas. Nasceu em 1931, em Coimbra.
Francisco Caetano (seu pai ) também foi jogador de futebol do União de Coimbra em 1924.
Começou a praticar desporto no Liceu D. João III, jogou futebol na Associação Académica de Coimbra e Basquetebol no Sport Conimbricense.
Tirou o curso de Educação Física no I.N.E.F. em Lisboa. Nessa altura praticava Atletismo, correndo os 5.ooo metros, e jogava Rugby no CDUL. Foi treinador de Rugby e de uma equipa feminina de Basket, além de Ginástica Desportiva e das aulas de Educação Física nas escolas por onde passou.

Dedicou toda a vida à Formação e Ensino da Educação Física e Desporto.




Luís António Lucas - filho de Luís Lucas e Maria Amélia Pereira. Primo de Valdemar Lucas Caetano.
Foi internacional de Voleibol na A.A.Coimbra (na foto o nº 5).
Tirou o curso de Educação Física e foi treinador de Voleibol (de equipas masculinas) e de várias equipas Femininas. Foi por muitos anos o Seleccionador Nacional de Voleibol Feminino.





João Lucas - filho de Luís Lucas e Maria Amélia Pereira. Primo de Valdemar Lucas Caetano.
Também tirou o curso de Educação Física (casado com uma Prof. de E.F. Mª Paula Rodrigues). Actualmente é o Treinador da equipa feminina de Voleibol do S. C. de Braga.





Carlos Filipe Lucas - filho de Luís António Lucas e Maria Helena Sá (também jogadora de voleibol).
Jogou basquetebol na adolescência, tirou o curso de Gestão Desportiva, trabalhou na UEFA e actualmente está ligado ao Futebol nacional.













Será que o mais novo membro da família Lucas, também vai seguir as pisadas dos seus antepassados?
Gabriel Lucas tem agora 1 ano de idade. É filho de Carlos Filipe Lucas e Brigite Loureiro.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Marina Lima

Something that we Missed - Marina Lima 

Esta é uma raridade. E como gosto de raridades, tinha de partilhar... 

Gosto de Marina Lima e confesso que tenho os discos todos dela, uns 20 e tal... O 1º disco que comprei foi o "Todas" em vinil, de 1985. Desde os anos 80 tenho acompanhado a carreira dela. O único CD que me falta é mesmo uma gravação em inglês do album "O Chamado", de 1993. Vejo os vídeos todos no youtube, e nunca tinha visto este, até hoje... voilá!

Marina Correia Lima nasceu no Rio de Janeiro em 17 de Setembro de 1955, é cantora e compositora. Marina morou nos Estados Unidos durante a infância e o início da adolescência. Neste período ganha um violão do pai, como um pretexto para sentir menos falta do país natal. Iniciou a carreira em 1977, quando decidiu musicar um dos poemas do irmão mais velho, Antônio Cícero e obteve reconhecimento, pois teve essa canção gravada por Gal Costa, Meu Doce Amor. Estabelecida essa conexão "emocional", Marina e Cícero trilhariam uma parceria de sucesso. De volta ao Rio de Janeiro, assina um contrato e lança o primeiro LP, "Simples como Fogo" em 1979. O último disco lançado em 2011 chama-se "Climax".

 

 

Vem, de Pedro Ayres de Magalhães

Há poemas que nos tocam, simplesmente!
Há poemas com ritmo.
Há música que não conhecemos a letra, nem nos interessa.
Mas há poemas com música, ou que reconhecemos logo a melodia, a voz que a canta...
É o caso desta poesia de Pedro Ayres de Magalhães

Vem

Vem 
Além de toda a solidão 
Perdi a luz do teu viver 
Perdi o horizonte 

Está bem 
Prossegue lá até quereres 
Mas vem depois iluminar 
Um coração que sofre 

Pertenço-te 
Até ao fim do mar 
Sou como tu
Da mesma luz 
Do mesmo amar 

Por isso vem 
Porque te quero 
Consolar 
Se não está bem 
Deixa-te andar a navegar

Felicidade, de Sophia de Mello Breyner Andresen


Felicidade

Pela flor pelo vento pelo fogo
Pela estrela da noite tão límpida e serena
Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo
Pelo amor sem ironia - por tudo
Que atentamente esperamos
Reconheci tua presença incerta
Tua presença fantástica e liberta.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

Nina Simone

Feeling Good


Eunice Kathleen Waymon mais conhecida pelo seu nome artístico, Nina Simone, nasceu a 21 de Abril de 1933, foi uma grande pianista, cantora e compositora americana. O nome artístico foi adotado aos 20 anos, para que pudesse cantar Blues, a "música do diabo", nos cabarés em Nova Iorque, Filadélfia ou Atlantic City, escondida de seus pais, que eram pastores metodistas.
"Nina" veio de pequena ("little one") e "Simone" foi uma homenagem à grande atriz do cinema francês Simone Signoret, sua preferida.
Nina Simone também se destacou e foi perseguida por ser negra e por abraçar publicamente todo tipo de combate contra o racismo. Seu envolvimento era tal, que chegou a cantar no enterro do pacifista Martin Luther King.
Faleceu a 21 de Abril de 2003 em Carry-le-Rouet, França.


"Feeling Good" (também conhecida como "Feelin' Good") é uma música escrita pelos compositores-cantores ingleses Anthony Newley e Lesley Bricusses para o musical de 1965 chamado The Roar of the Greasepaint - The Smell of the Crowd.

"Feelin' Good" foi interpretada por um grande número de artistas, incluindo Sammy Davis Jr., Traffic, Yard Dogs Road Show, Muse, John Barrowman, Michael Bublé, Adam Lambert, The Pussycat Dolls ou Joe Bonamassa, além de Nina Simone, claro. 


Feeling Good
"Birds flying high you know how I feel
Sun in the sky you know how I feel
Reeds drifting on by you know how I feel
Its a new dawn it's a new day its a new life for me
And I'm feeling good
Fish in the sea you know how I feel
River running free you know how I feel
Blossom in the trees you know how I feel
It's a new dawn its a new day it's a new life for me
And I'm feeling good
Dragonflies all out in the sun
You know what I mean, don't you know
Butterflies are all having fun
You know what I mean
Sleep in peace
When the day is done
And this old world is new world and a bold world for me
Stars when you shine you know how I feel
Scent of the pine you know how I feel
Yeah freedom is my life
And you know how I feel
Its a new dawn its a new day its a new life for me
And I'm feeling good
Ooooh
(Feeling good)"


 "Wild Is the Wind" foi escrita pela dupla Dimitri Tiomkin e Ned Washington, gravada originalmente por Johnny Mathis em 1957 para o filme Wild is the wind" tendo sido nomeado para um Óscar.

Foi gravado por Nina Simone em 1959 e 1966. David Bowie, admirador do estilo de Nina Simone, gravou a música em 1976 no album Station to Station. Clan of Xymox em 1994 no album Headcloud. Fatal Shore em 1997, George Michael em 1999, Barbra Streisand em 2003 e finalmente em 2010 surge uma nova versão de Esperanza Spalding, entre muitos outros.

Wild is the Wind

Love me, love me, love me, say you do
Let me fly away with you
For my love is like the wind, and wild is the wind
Wild is the wind
Give me more than one caress, satisfy this hungriness
Let the wind blow through your heart
For wild is the wind, wild is the wind
Refrão:
You touch me, I hear the sound of mandolins
You kiss me
With your kiss my life begins
You're spring to me, all things to me
Don't you know, you're life itself!
Like the leaf clings to the tree,
Oh, my darling, cling to me
For we're like creatures of the wind, and wild is the wind
Wild is the wind
(refrão)
Like the leaf clings to the tree,
Oh, my darling, cling to me
For we're like creatures in the wind, and wild is the wind
Wild is the wind...

It was a very good year - R. Williams e F. Sinatra

It was a very good year 

Não gosto particularmente de Robbie Williams, e do Frank Sinatra reconheço apenas que tem uma excelente voz e repertório musical... Dito isto, acho esta música linda e uma óptima interpretação dos dois cantores. Sempre gostei mais das músicas tipo lado-B, ou seja, as menos conhecidas, que não são grandes èxitos e esta será uma delas. Descobri este dueto por acaso e apaixonei-me pela melodia suave. Acho uma delícia este verso:  

"But now the days are short, I'm in the autumn of my years
And I think of my life as vintage wine"...

 

It Was a Very Good Year

(Escrita por Ervin Drake, em 1961)

When I was seventeen, it was a very good year
It was a very good year for small town girls
And soft summer nights
We'd hide from the lights
On the village green
When I was seventeen

When I was twenty-one, it was a very good year

It was a very good year for city girls
Who lived up the stairs
With perfumed hair
That came undone
When I was twenty-one

When I was thirty-five, it was a very good year

It was a very good year for blue-blooded girls
Of independent means
We'd ride in limousines
Their chauffeurs would drive
When I was thirty-five

But now the days are short, I'm in the autumn of my years

And I think of my life as vintage wine
From fine old kegs
From the brim to the dregs
It poured sweet and clear
It was a very good year  

Léo Ferré

La solitude

Léo Ferré  nasceu no Mónaco a 24 de Agosto de 1916, foi um poeta, músico e anarquista. Enquanto músico foi autor, compositor e intérprete de um grande número de canções. Viveu no Mónaco, em Paris e na Toscana, onde faleceu a 14 de Julho de 1993, em Castellina in Chianti, Itália.
O elevado nível poético das letras das suas numerosas canções costuma reflectir um inconformismo radical de cunho anarquista e a qualidade da música e da interpretação situam-no nos maiores vultos da moderna canção francesa. Autor de duas grandes séries de canções sobre textos de Baudelaire e Louis Aragon, utilizou também poemas de Apollinaire, Arthur Rimbaud entre outros.

Avec le temps

terça-feira, 15 de maio de 2012

Fotografia - Imagens e Visões

"Marlboro Man"
Leonard McCombe foi o autor da lendária foto feita para a revista Life em 1949 , que mostra o capataz de um rancho, de 39 anos, com um cigarro na boca. A imagem inspirou a campanha publicitária promovida pela fabrica de cigarros Philip Morris, que na época procurava uma nova imagem para a marca Marlboro. Assim, em 1954, nasceu um ícone chamado "Marlboro Man". A campanha é tida como uma das mais brilhantes propagandas de todos os tempos.


Sebastião Salgado e a menina sem terra
Este é um dos mais conhecidos retratos de Sebastião Salgado, publicado em 1997, na capa do livro “Terra”. A foto que mostra o olhar sofrido de uma menina foi feita em 1996, num acampamento de Sem-Terra em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná. Na época Salgado dedicou o livro às milhares de famílias de brasileiros sem terra que sobrevivem em acampamentos improvisados às margens das rodovias.
  Foto de Steve McCurry - A fotografia mundialmente conhecida da “menina afegã”, tirada em 1984.

Este belo retrato de Marilyn Monroe aos 20 anos de idade foi feito por Andre de Dienes

Nascido em 1913 na Transilvânia (atual Romênia), Andre saiu de casa aos 15 anos após o suicídio de sua mãe e viajou por toda a Europa, antes de residir na Tunísia, Norte da África, onde fez biscates, aprendeu a pintar, e comprou sua primeira câmera, uma Retina 35mm. Em 1933 de Dienes foi viver em Paris onde comprou sua primeira câmera Rolleiflex. Começou realizando fotos para diversos jornais, incluindo o L´Humanité (um jornal comunista) e trabalhou para a Associated Press até 1936. Em 1938, com a ajuda de Arnold Gingrich, editor da revista Esquire, ele emigrou para os EUA e se estabeleceu em Nova York para trabalhar para a revista Esquire, Vogue, Life e Montgomery Ward. Em 1944 mudou-se para Hollywood onde conheceu Marilyn Monroe, imediatamente Andre se apaixonou por sua inocência e charme, vivendo um romance com a jovem atriz. Andre morreu em 1985.

O pequeno Elvis
Esta foto proveniente do álbum de família mostra o pequeno Elvis, aos dois anos de idade, ao lado de seus pais Vernon Presley e Gladys Love Smith. A família passou por dificuldades financeiras, principalmente quando Vernon, o pai de Elvis, foi preso por falsificar um cheque. Em 1948, aos 13 anos, Elvis se mudou com a família para a musical cidade de Memphis, para em seguida conquistar o mundo. Elvis foi um dos músicos populares da história, com mais de 100 milhões de discos vendidos somente nos EUA.  Elvis Presley morreu subitamente de insuficiência cardíaca em 16 de Agosto de 1977, aos 42 anos de idade.